A PERNA ESQUERDA DE TCHAIKOVSKI

COMPANHIA NACIONAL DE BAILADO

SÁBADO, 30 SETEMBRO 2017 | 21H30

AUDITÓRIO

CE: M/6

DURAÇÃO: 1H30

PREÇÁRIO:
12€
 

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A PERNA ESQUERDA DE TCHAIKOVSKI

SINOPSE

Tudo partiu duma pessoa e da sua vida. O desafio que Luísa Taveira, diretora artística da Companhia Nacional de Bailado, me lançou foi o de criar um espetáculo para uma bailarina que chega ao fim da sua carreira: Barbora Hruskova. O meu papel e o de Mário Laginha era o de traduzirmos para o palco, em colaboração com Barbora, esse momento definitivo dum corpo que está prestes a abandonar a dança.
Desejamos também mostrar ao público aquilo que a dança clássica obsessivamente esconde: o trabalho infernal que está por detrás da beleza etérea do ballet. A disciplina militar, a dedicação que é quase devoção, a compulsiva busca da perfeição, as privações, a constante autocrítica. E sim, o prazer. Mas o prazer que resulta da escalada extenuante a cumes inacessíveis.
Se estivesse já escrita a biografia da bailarina Barbora Hruskova, este seria um espetáculo livremente baseado nesse livro. E a personagem de Barbora seria interpretada pela própria Barbora. Como se devolvêssemos a tradução à sua língua original. Partimos da sua história pessoal e tentámos torná-la uma história de todas as bailarinas para todo o público. Mas depois devolvemo-la a Barbora para que esta tradução seja preenchida do seu sentido original e da sua energia vital. Barbora costuma dizer que dançar é ser “atravessada pelas tempestades”. Ao vê-la interpretar o material que lhe compusemos, descobrimos que é ela a verdadeira tradutora. Barbora traduz as tempestades.

Tiago Rodrigues (2015)

 

Este é o ponto de partida para o espetáculo, não só o percurso artístico de uma primeira bailarina mas de tudo aquilo que é inerente a esse mesmo percurso. A particularidade está na sua própria história de vida quer pessoal, quer artística. A proposta passa por criar um espetáculo para uma bailarina em fim de carreira, cabendo a Tiago Rodrigues e a Mário Laginha a tradução para o palco desse instante. O momento em que o corpo que, durante anos obedeceu às ordens e desejos da bailarina, passa a assumir o controlo da sua própria vontade e decide abandonar a dança.
O processo implicou muitas horas de entrevista entre Tiago Rodrigues e Barbora Hruskova, nas quais partilhou com o autor a sua vida desde os primeiros espetáculos da infância até ao último em 2014. Uma espécie de viagem aos cerca de 30 anos como bailarina. Juntos, viram vídeos de coreografias que ela interpretou, analisaram a sua forma de estar na vida e na dança, as suas rotinas, as suas lesões, os seus sucessos e tudo o que de relevante a marcou. Os bons e os maus momentos. Este é um espetáculo também sobre a memória, a memória de um corpo, partindo do pressuposto de que a memória é, ela própria, uma construção do tempo.
A coreografia deste espetáculo é o resultado de um revisitar das suas experiências coreográficas, dos ensaios, das rotinas diárias, do prazer e da dor.
Para este espetáculo, Mário Laginha, é convidado não só a compor uma partitura original, como a interpretar ao vivo, partilhando a cena e a sua música com Barbora Hruskova. A inspiração para esta nova composição tem como base outras partituras de compositores que se cruzaram com a bailarina ao longo da sua carreira, tendo sempre em conta o momento presente.

BIOGRAFIA

Barbora Hruskova nasceu em 1972, de nacionalidade francesa e filha de bailarinos. Estudou no Conservatório Superior Nacional de Música e Dança de Paris, com a professora Christiane Vaussard, e na Companhia de Bailado de São Francisco, como bolseira. Em 1990 ingressou no Ballet Real da Flandres como primeira solista. Nesta companhia dançou Camelot de Stuart Sebastian, Don Quixote de Rudolf Nureyev, Cinderela de Peter Anastos, O Quebra-Nozes, Os 3 Mosqueteiros de André Prokovsky, Giselle de Menia Martinez, O Lago dos Cisnes de Jan Fabre, assim como coreografias de George Balanchine, Choo-San Goh, Ib Andersen, Maurice Béjart, Christopher D’Amboise, Violette Verdi, X.P. Wang, Danny Rosseel, Maurício Wainrot. Barbora Hruskova faz parte do elenco da CNB desde 2003, como bailarina principal. Pela CNB dançou O Quebra-Nozes, Bach à L’Oriental, La Rosée, 5 Estações, D. Quixote, como Kitri, e O Lago dos Cisnes, como Odette/Odile, de Mehmet Balkan, Romeu e Julieta de John Cranko, Les Sylphides deFokine e ainda coreografias de Heinz Spoerli, Renato Zanella, Nacho Duato, George Balanchine, Vasco Wellenkamp, Mauro Bigonzetti, Jirí Kylián, Hans van Manen, Uwe Scholz e Caetano Soto. Sob a direção artística de Luísa Taveira trabalhou com os coreógrafos Rui Lopes Graça, Olga Roriz e Clara Andermatt, e destacou-se nos papéis principais em La Sylphide de Bournonville, A Bela Adormecida de Ted Brandsen e ainda a princesa russa de O Lago dos Cisnes de Fernando Duarte. Como bailarina convidada dançou em diversas galas internacionais em Houston, Londres, Finlândia, Lisboa, Turquia, no Bodrum International Ballet, Gala Eleonora Abagnato and friends, assim como nas companhias Ballet Nacional de Praga e Badisches Staats Theatre em Karlsruhe na Alemanha. Nos últimos anos, paralelamente à sua carreira como bailarina, dedica-se à formação como instrutora de Gyrotonic e Gyrokinesis, um método complementar de prevenção e reabilitação física criado por Juliu Horvath, antigo bailarino. É mestra de Bailado da CNB desde Março de 2016.

Mário Laginha é habitualmente conotado com o jazz. Mas o universo musical que foi construindo ao longo de mais de duas décadas é bem mais abrangente, afirmando-se como um tributo às músicas que sempre o tocaram: o jazz, naturalmente, mas também os sons do Brasil, da Índia, de África, a pop e o rock, sem esquecer as bases clássicas que influenciaram o seu primeiro projecto a solo (Canções e Fugas, de 2006). Mário Laginha tem articulado uma forte personalidade musical com uma vontade imensa de partilhar a sua arte com outros músicos. Desde logo, com Maria João, de que resultou um dos projectos mais consistentes e originais da música portuguesa. Em finais da década de oitenta iniciou uma colaboração com o pianista Pedro Burmester, dupla que seria alargada a Bernardo Sassetti em 2007 no projecto “3 pianos”. Mário Laginha tem escrito para formações tão diversas como as Big Band da Rádio de Hamburgo e de Frankfurt, a Filarmónica de Hannover, Orquestra Metropolitana de Lisboa, o Remix Ensemble, o Drumming Grupo de Percussão e a Orquestra Sinfónica do Porto. E tem tocado com músicos como Wolfgang Muthspiel, Trilok Gurtu, Gilberto Gil, Lenine, Ralph Towner, Manu Katché, Julian Argüelles, Howard Johnson ou Django Bates. Compõe também para cinema e teatro. A obra mais recente do trio partilhado com Bernardo Moreira e Alexandre Frazão é “Mongrel”, a partir de originais de Chopin, e “Iridescente” é a sua última aventura musical com Maria João. Colabora desde 2012 com o pianista brasileiro André Mehmari, tendo sido editado um disco em duo, com música original de ambos. Em finais de 2013, Mário Laginha e o seu Novo Trio com o guitarrista Miguel Amaral e o contrabaixista Bernardo Moreira lançaram o inovador “Terra Seca”. Em 2016, retomou a colaboração em Duo com o pianista Pedro Burmester, com quem tem participado nalguns dos mais importantes Festivais de Música em Portugal e no estrangeiro.

Tiago Rodrigues (1977) é o diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II. Ator, dramaturgo e encenador cujo teatro subversivo e poético o afirmou como um dos mais relevantes artistas portugueses. Em 2003, criou a estrutura Mundo Perfeito em conjunto com Magda Bizarro, onde desenvolveu um trabalho fortemente baseado na colaboração artística e nos processos coletivos, criando mais de 30 peças entre 2003 e 2014. Uma das suas criações “Três dedos abaixo do joelho” foi duplamente premiada na categoria de “Melhor Espetáculo de Teatro 2012” pela SPA e Globos de Ouro. Foi professor convidado na escola de dança contemporânea PARTS, em Bruxelas, dirigida pela coreógrafa Anne Teresa De Keersmaeker. Leciona frequentemente em diversas escolas de teatro e dança em Portugal e no estrangeiro.

FICHA ARTÍSTICA

Texto e Direção
Tiago Rodrigues

Bailarina
Barbora Hruskova

Música e Piano
Mário Laginha

Desenho de Luz
Cristina Piedade

Folha de sala

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