NARCISO

TANIA BRUGUERA | BOCA BIENAL DE ARTES CONTEMPORÂNEAS

12 A 24 SETEMBRO 2020 |

FOYER 1

CE: TODOS OS PÚBLICOS







NARCISO

SINOPSE

Tania Bruguera desenvolve um poderoso ativismo artístico, confrontando nesse gesto criador “o papel das emoções na política”. As suas principais preocupações são o poder institucional, as fronteiras e a migração. O seu trabalho abrange performance, eventos, cinema, instalação, escultura, escrita e ensino, para além de trabalhos site specific. A arte, para Bruguera, não é um acto neutro, propondo mudanças, também sociais e políticas, por vezes radicais, através das suas criações. Bruguera denomina esta abordagem de Arte Útil, em que as pessoas se envolvem como participantes, em vez de meros espectadores.
Depois de ter criado a sua primeira peça de teatro na BoCA 2017, “Endgame”, a artista concebeu em 2019 a instalação “Narciso”, que evoca, no seguimento da sua recente intervenção na Tate Modern (Londres), a crise da migração e dos refugiados. Através do olhar de Tania Bruguera, esse movimento ganha a expressão de uma crise individual, centrada no corpo e na identidade de cada espectador: “Uma pessoa senta-se sobre uma escultura a observar o seu reflexo na água. Quando se aproxima da água para se ver a si mesma, o reflexo que encontra não é o seu mas o de uma pessoa imigrante”, escreve Tania Bruguera.
Para esta criação, Tania inspirou-se numa pergunta formulada por Alain Badiou no prólogo a “The Agony of Eros” do filósofo Byung-Chul Han: “É absolutamente certo que o único modo de opor uma concepção de alteridade consumista e contratual é abolir o ‘eu’ numa escala sublime e em-tudo-impossível, de modo a encontrar o ‘Outro’?” No mesmo livro, Byung-Chul Han afirma que para que o pensamento humano exista, “é preciso que a pessoa tenha sido amigo e amante” ou seja, que se tenha dado ao outro.t que nos transporta para um mundo paralelo, pela mão de uma das mais interessantes artistas das artes performativas.

BIOGRAFIA

Tania Bruguera nasceu em 1968 em Havana (Cuba). Vive e trabalha em Havana, Nova Iorque e Cambridge. Tania Bruguera é uma artista que utiliza a instalação e a performance para expor os efeitos sociais do poder da força política, questionando a possibilidade de representação política ao mesmo tempo que, com a sua obra, tenta fundir a distância entre arte e vida. Dos vários trabalhos que fez, destacam-se e Tatlin’s Whisper # 6 (Havana Version), que incidia na liberdade de expressão.
Há mais de 25 anos, Bruguera criou instalações e performances empenhadas em termos sociais que examinam a natureza das estruturas de poder político e o seu efeito nas vidas dos indivíduos e grupos mais vulneráveis da sociedade. A sua pesquisa centra-se em formas nas quais a arte pode ser aplicada à vida política quotidiana; na transformação do afeto social em eficácia política. Os seus projetos a longo prazo são intervenções intensivas na estrutura institucional da memória, da educação e da política coletivas. As suas obras expõem frequentemente os efeitos sociais das forças políticas e apresentam questões globais de poder, migração, censura e repressão através de obras participativas que transformam os “espectadores” em “cidadãos”.
Ao criar propostas e modelos estéticos para a utilização e a adaptação de outros, ela define-se como uma iniciadora, em vez de uma autora, e colabora frequentemente com múltiplas instituições, assim como com muitos
indivíduos, para que a plena realização do seu trabalho artístico ocorra quando outros o adotam e perpetuam.
Premiada com um Honoris Causa pela Escola do Instituto de Arte de Chicago, selecionada como uma das 100 Leading Global Thinkers (principais pensadores mundiais) pela revista Foreign Policy, pré-selecionada para o prémio de Liberdade de Expressão #Index100, sendo uma vencedora do prémio Herb Alpert, uma bolsista de Yale World e Radcliffe, assim como a primeira artista em residência no escritório da Câmara Municipal de Nova Iorque de Assuntos de Imigração. Participou na exposição Documenta 11 e também estabeleceu o programa “Arte de Conducta” (Arte do Comportamento) no Instituto Superior de Arte de Havana. O seu trabalho foi apresentado na Bienal de Veneza de 2015, na Tate Modern, em Londres, no Guggenheim e no MoMA, em Nova Iorque, entre outros.
Tania Bruguera abriu o Hannah Arendt International Institute for Artivism, em Havana – uma escola, espaço de exposição e pensamento dedicado a artistas ativistas e cubanos. Premiada Honoris Causa pela The School of the Art Institute (Chicago).

FICHA ARTÍSTICA

Produção
BoCA

Co-produção
Galerias Municipais EGEAC, Estudio Bruguera

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