NÃO SÓ DE OCEANOS SE CONSTRÓI UM CORPO FEITO DE ÁGUA

CARLOS NORONHA FEIO

SEXTA-FEIRA, 27 MARÇO 2026 | 18H

FOYER

CE: TODOS OS PÚBLICOS







NÃO SÓ DE OCEANOS SE CONSTRÓI UM CORPO FEITO DE ÁGUA

SINOPSE

“Não só de oceanos se constrói um corpo feito de água”
 Carlos Noronha Feio

Nesta exposição propõe-se um desvio: do oceano enquanto imagem dominante para uma compreensão mais ampla da água, dispersa, fragmentada, presente nos corpos, nos territórios e nas memórias. A partir de uma instalação sonora imersiva que articula coordenadas geográficas e paisagens acústicas, constrói-se um arquipélago sensível onde cada ponto deixa de ser localização para se tornar relação.
O que aqui se escuta não é apenas som, mas a inscrição de histórias em movimento. Vibrações que transportam deslocações, encontros, fricções. Como no jazz, linguagem feita de escuta e resposta, a obra organiza-se como uma composição aberta, onde diferentes geografias coexistem sem hierarquia, ativando um campo relacional que se constrói na duração e na experiência.

Ao inscrever Águeda nesta cartografia, através da Pateira de Fermentelos e de outros lugares convocados, afirma-se o interior como território atravessado por fluxos. A água deixa de ser horizonte distante para se tornar presença próxima, acumulada, refletida, transformada. Não é apenas massa oceânica, mas condição difusa: circula entre corpos, infiltra territórios, liga distâncias. É matéria e memória, mas também imaginação.

Se o oceano foi espaço de travessia e violência, mas também de criação e mestiçagem, importa aqui pensar para além da sua escala. Há uma água mais discreta, lacustre, subterrânea, que sustenta outras formas de relação e outras narrativas possíveis.
Entre escuta e deslocação, entre cartografia e experiência, o visitante é convidado a habitar este campo instável. Um território que não se organiza por fronteiras fixas, mas por ressonâncias. Porque não só de oceanos se constrói um corpo feito de água, constrói-se também de ecos, de atravessamentos e de tudo aquilo que, de forma invisível, nos liga.

Ricardo Barbosa Vicente

FICHA ARTÍSTICA

Curador:
Ricardo Barbabosa Vicente

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