Veneno foi escrito a partir de narrativas factuais verídicas, recolhidas num universo cosmopolita contemporâneo. 51% da população mundial encontra-se, neste momento, a viver em espaços urbanos – por razões económicas, melhoria das condições de vida, oferta de trabalho, entre outras. Veneno é, também, um texto centrado na ideia da decadência da família no contexto suburbano. Se a família é o paradigma ancestral daquilo que deve ser um governo, ambos manifestam, atualmente, a ideia de crise. Crise esta que, na génese etimológica, significa separar, dividir.
A narrativa foca-se nas circunstâncias, e consequências trágicas, de um pai recentemente desempregado e falido que decide sequestrar os três filhos – depois de assassinar a
mulher e o seu amante. O pai e os filhos convivem, então, num espaço exíguo e em condições precárias. Todo o discurso do pai é construído em torno da incapacidade de aceitação do real, tornando o seu discurso num delírio verosímil sobre a sociedade, a família, a política, e também sobre o amor; a falência do mundo interior e exterior. O pai exerce poder e violência através da linguagem e os filhos expressam-se por intermédio do canto lírico. Acontecem, assim, dois universos diferentes e incomunicáveis: o do subúrbio e o da aristocracia. Reúne características simultaneamente horríficas, cómicas e abjetas, mostrando o homem na sua expressão mais grotesca – entre o horror e o humor.
Veneno aborda fundamentalmente as consequências da falência social e a extinção da entidade família.
O espetáculo inicia impreterivelmente às 21h30 e não serão permitidas entradas após o fecho de portas
Texto
Cláudia Lucas Chéu
Direção
Albano Jerónimo
Interpretação
Albano Jerónimo
Luís Puto
Participação Especial
Leonor Devlin
Voz-Off
Francisca van Zeller
Conceção Plástica
António MV
Desenho de Luz
Rui Monteiro
Direção de Produção
Francisco Leone
Produção Executiva
Luís Puto
Com o apoio
VOLVO
World Academy
Formula P