EM PALCO COM EMANUEL BARBOSA

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EM PALCO COM EMANUEL BARBOSA

SINOPSE

Esta semana, estamos em “Palco com..” Emanuel Barbosa.

Designer, coordenador internacional e professor na ESAD de Matosinhos, Emanuel Barbosa também participa ativamente na organização de exposições, tendo assumido a curadoria das exposições “Less is More” e “Bicicleta Motorizada: Águeda e a democratização da mobilidade individual”, patentes no CAA em 2018 e 2019, respetivamente.

Mediado por Daniel Madeira, este ciclo de conversas conta com a participação de várias personalidades que enriquecem a atividade artística e cultural e que, de alguma forma, se relacionam com o CAA.
 


Daniel Madeira:

Olá, Emanuel Barbosa. Designer, professor e curador, que trabalhou connosco, Centro de Artes de Águeda, em vários momentos da nossa programação, praticamente desde o início, foi em 2018 a primeira vez que colaboramos.Vou ler assim, alguns traços da sua biografia e depois vamos dar início a uma agradável conversa:
Portanto, Emanuel Barbosa, designer, professor e curador baseado no Porto. Participa ativamente na organização de exposições, workshops e cursos de design. Desde 1995 os seus trabalhos têm sido publicados e premiados por mais de 60 publicações internacionais. É Licenciado em design pela ESAD Matosinhos, com Pós-Graduação e Mestrado pela Universidade de Barcelona e Doutoramento pela Universidade Politécnica de Valência. É Coordenador internacional e professor na ESAD Matosinhos, desde 1998, e foi membro do Board da Porto Design Biennale 2019. Muitas mais coisas se poderiam dizer acerca do Emanuel mas vamos então voltar a 2018, no contexto da exposição “Less is more”, na altura, uma visão sobre a história do motociclo desde o pós Segunda Guerra Mundial até aos anos 90 com particular enfoque na história do motociclo em Portugal. Três anos depois, que balanço faz o Emanuel dessa exposição?

 

Emanuel Barbosa:

Antes de mais, obrigado pelo convite, é sempre um prazer estar aqui a colaborar com o Centro de artes, têm sido sempre tão recetivos a todas as propostas, por isso obrigado.
Eu penso que a “Less is more” foi uma exposição que teve bastante importância porque permitiu mostrar, primeiro que é possível levar outro tipo de públicos a um espaço como o Centro de Artes, eu acho que isso, principalmente na localização em que está, na região de Águeda, é extremamente importante porque abriu as portas a que se calhar algumas pessoas que naturalmente não iriam ao Centro de Artes e neste momento ficaram a conhecer o espaço e acho que isso é um ponto positivo.
A exposição em si, o que pretendia era sensibilizar as pessoas para a importância que teve a indústria das duas rodas na região de Águeda, nós centramos no pós-guerra porque foi quando realmente surgiu a bicicleta motorizada em força e foi onde Águeda teve mesmo muito peso, portanto mostramos alguma parte da produção mundial mais focada em scooters, porque aproveitamos uma excelente coleção que nos foi cedida pelo senhor João Seixas, e depois a produção local, portanto foi possível as pessoas compararem o que era feito o mercado internacional e o que era feito regionalmente em Portugal e penso que ver aqueles objetos, aqueles veículos, que normalmente nós vemos na rua mas completamente descontextualizados dentro de uma espaço nobre como é o espaço da galeria do Centro de artes eu acho que faz com que as pessoas vejam as coisas de outra forma e leva-nos a refletir um bocado sobre os temas, eu acho que foi muito importante. Sinceramente foi das exposições que mais gozo me deu, principalmente pelo feedback e pela envolvência, acho que foi um sucesso, teve muita afluência,

 

DM:

Teve. Sim, correu bem.
Por falar nessa questão da reflexão, a partir dessa mesma exposição, o Projeto educativo do Centro de Artes de Águeda ,em colaboração com a Cinanima, produziu uma curta-metragem chamada “Menos é mais” com a colaboração dos jovens dos Ateliers de Desenvolvimento de Competências da Delegação da Cruz Vermelha de Águeda. Foi uma curta-metragem que foi exibida em Portimão, no Festival Mundial da Animação, em 2018,e no Festival Internacional de Animação de Estugarda. Pergunto como é que o Emanuel vê esta forma de prolongar o conceito da exposição através destes meios educativos/formativos?

 

EB:

Primeiro devo dizer que eu fiquei surpreendido quando vi o filme porque não fiz, de forma nenhuma, parte do projeto, foi um projeto da parte educativa do Centro de Artes e fiquei encantado, porque achei que resultou extremamente bem e não me canso de o divulgar. Eu estou constantemente a mostrá-lo como exemplo porque acho que é uma coisa que resultou, e que agora, respondendo à pergunta, eu acho que é o tipo de projeto e envolvência de deve existir sempre em qualquer exposição, em qualquer evento porque faz com que, neste caso, as gerações mais novas consigam absorver a informação que se pretende numa exposição num evento destes e reinterpreta-la duma forma criativa neste caso, que eu acho que foi excelente, foi um projeto exemplar, fiquei mesmo muito contente com isso.

 

DM:

Muito bem, agora andando um ano para a frente, em 2019, “Bicicleta Motorizada: Águeda e a democratização da mobilidade individual” foi a sucessora natural de “Less is More” no que concerne evidentemente à temática explorada. Pergunto ao Emanuel se consegue de alguma forma comparar as duas exposições?

 

EB:

Sim, as duas exposições, a “Bicicleta Motorizada…" surgiu como uma extensão da “Less is more” porque percebemos que o interesse era tão grande, principalmente na parte da produção local, nós recebemos pedidos de pessoas que pediam para integrar parte das suas coleções na exposição, ficavam até chateados por não terem sido envolvidos portanto eu acho que foi uma forma também muito interessante de aprofundar um bocado aquela temática que foi abordada na “Less is More”.
Na “Less is more” pretendeu-se mostrar, o título tem a ver com isso, que com pouco se podia fazer muito, e foi assim que a indústria de Águeda começou a desenvolver-se ,foi um ponto de partida para se pensar um bocado esse tema e a “Bicicleta Motorizada…” foi já uma abordagem mais detalhada sobre a produção local. Claro que ficaram sempre muitos modelos de fora, ficaram algumas empresas de fora, não é possível contemplar todos, mas eu penso que nós conseguimos agora se calhar fazer, não sei se uma exposição, um evento, uma publicação, podemos fazer qualquer coisa para aprofundar o tema, porque eu acho que continua a haver muito interesse e eu penso que a “Bicicleta Motorizada…” permitiu também perceber que ainda há algum desconhecimento em relação ao tema, ou seja, apesar de já começarem a acontecer algumas atividades à volta, algumas pesquisas, até fóruns à volta deste tema, mas continua ainda a haver ainda alguma confusão, névoa, à volta do tema e há sempre lugar para aprofundar mais a investigação. Acho que as duas resultaram cada uma à sua maneira, a “Bicicleta Motorizada…” foi mais detalhada na parte da produção nacional e era isso que se pretendia.

 

DM:

Muito bem. Emanuel, como referi há pouco na sua biografia, é professor de design na Escola Superior de Artes de Design de Matosinhos e tem também uma participação ativa na esfera internacional na área do design.
Podemos, de alguma forma, partir da exposição “Design de Macau XX”, uma pequena exposição que aconteceu na sala estúdio com a sua curadoria em 2019, completando a minha questão, podemos partir dessa exposição e fazer uma reflexão sobre o design português no mundo? É possível?

 

EB:

Sim, a exposição “Design de Macau XX” serviu principalmente para mostrar o que é que, em termos de design, está a acontecer neste momento num território tão pequeno que é o território de Macau, em que a produção de design germinou com influência portuguesa, porque os professores eram portugueses, as escolas que existiam eram portuguesas, 20 anos depois nós podemos ver que o território se tornou completamente autónomo, devolveu uma linguagem própria e tem um sangue novo muito interessante.
Em relação ao design português, o design português tem tal como o caso Macau, evoluiu não é, nos últimos anos nós vemos pequeno estúdios e vemos alguns jovens designers que conseguem ter algum protagonismo internacional, que não era possível há uns anos atrás para outras gerações, porque com a internet, com a facilidade de comunicação é possível criar novas portas e devo dizer que em Macau ficaram muito surpreendidos com o equipamento que o Centro de Artes tinha ou seja com o espaço eles quando viram instalações do Centro de Artes começaram até a reclamar lá junto das autoridades locais “uma cidade tão pequenina com tão poucos habitantes e tem um centro de artes deste e nós como é que é”, é engraçado!
Portanto em relação ao design português, tem um campo muito fértil para explorar a nível internacional eu acho que nós devíamos explorar as nossas raízes, as nossas influências culturais e históricas, o caso de Macau é um bom exemplo porque a China neste momento é aquela potência mundial, que todos sabemos, a nível de mercado, é um mercado muito interessante para os designers e para os empreendedores portugueses, portanto daí o foco também um bocado naquele mercado porque é tão grandes e nós temos ligações tão fortes, que me parece que é óbvio, que devíamos tentar explorá-las.

 

DM:

Emanuel, pegando então no design e fazendo mais uma atalho para uma outra área, a última colaboração do Emanuel connosco foi uma participação numa conversa intitulada “O desenho enquanto prática, as novas tecnologias e a produção industrial”, já foi este ano, no contexto do ciclo “O Desenho como Pensamento”. Pergunto ao Emanuel, enquanto professor e designer, foi nesse estatuto que também participou na referida conversa, de que forma é que design e desenho se relacionam?

 

EB:

O desenho, eu acho que o design tem a ver com o que eu costumo dizer que em português será o desígnio, tem a ver com a resolução de problemas na sua origem, o desenho é uma forma e uma extensão da nossa inteligência do nosso pensamento que nos permite materializar de uma forma gráfica as nossas ideias. Portanto o design e o desenho andam sempre de mãos dadas de uma forma geral, as pessoas até confundem o desenho com o design.
Eu acho que que foi uma conversa extremamente interessante porque, o que é que acontece hoje em dia às novas gerações de designers de estudantes estão tão habituados às ferramentas informáticas que já tem algum desapego ao ato de desenhar, mas o ato de desenhar serve para nós exercitarmos a nossa capacidade pensamento porque pensamos ao mesmo tempo que desenhamos portanto toda esta reflexão à volta do tema eu acho que foi extremamente interessante, é um tema que se deveria revisitar várias vezes e com vários intervenientes porque eu acho que vale a pena pensar no assunto.

 

DM:

Emanuel, e projetos para o futuro? Quer revelar alguma coisa?

 

EB:

Pronto nós tínhamos alguns projetos em conjunto até com a Câmara de Águeda e com o Centro de Artes que ficaram um bocado em stand by por esta situação que estamos todos a viver. Neste momento estou a trabalhar, embora a um ritmo um bocadinho mais lento, também por causa da pandemia, é uma plataforma de promoção do design e do empreendedorismo criativo português, fora de Portugal pronto com recurso aos contactos principais que eu tenho, que serão mais na Ásia mas também na América e pronto a ideia será criar uma plataforma que irá promover e criar novas oportunidades para marcas portuguesas, para designers, para arquitetos e provocar intercâmbios culturais e de projetos entre vários países e Portugal e eu penso que o Centro de Artes também vai estar envolvido.

 

DM:

Esperemos que sim, naturalmente esperamos voltar a trabalhar com o Emanuel nos próximos tempos, assim que esta pandemia nos permita.

Em nome da da Câmara Municipal de Águeda e do Centro de Artes de Águeda, agradecemos imenso a sua colaboração e a sua participação nesta entrevista.

Tudo de bom para o futuro.

 

EB:

Tudo de bom. Até à próxima

 



Entrevista completa em:

https://www.youtube.com/watch?v=kG0SHy1n9Gg&t=82s

 

 

 

 

 

 

FICHA ARTÍSTICA

Créditos fotográficos

CAA

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