EM PALCO COM SIRICAIA

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EM PALCO COM SIRICAIA

SINOPSE

Este sábado vamos conhecer a Família Fandango e estar à conversa com Siricaia.

O duo aveirense constituido por Susie Filipe e Vítor Hugo lançou o seu álbum de estreia no passado dia 19 de março.

Família Fandango retrata a história de uma família tipicamente portuguesa ao longo de quatro gerações com recurso às componentes de música, literatura, pintura e vídeo. Conta ainda com a participação de 18 artistas portugueses de vários quadrantes.

O CAA teve o privilégio de colaborar nas filmagens para o vídeo e podemos esperar um concerto de apresentação muito em breve.
 



Daniel Madeira:

Olá Susie, olá Vitor, bem-vindos à rubrica “Em palco com…” tudo bem? 

 

Susie Filipe:

Olá.

 

Vitor hugo:

Olá.

 

DM:

Entrevisto-vos de um palco  como que você familiar, o palco do Centro de Artes de Águeda, sejam bem-vindos mais uma vez. Portanto Susie Filipe e Vitor Hugo são o duo que constitui os SIRICAIA, o novo projeto iniciado em 2019 e que iremos abordar mais à frente na nossa conversa. Antes disso gostávamos de falar sobre os projetos anteriores e as carreiras com que ambos já contam.

Portanto começamos pela Susie. 

Susie Filipe (Anadia, 13 de Abril 1988) é uma atriz e baterista portuguesa. Tendo passado por várias artes cénicas, como o ballet, o rancho e a ginástica artística, escolheu dedicar-se especialmente ao teatro e à música. Iniciou a sua prática teatral com Jorge Manuel Fraga no Gretua – Grupo Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro. Passou pela companhia de Teatro de Aveiro, onde integrou quatro produções, trabalhando com Rui Sérgio, Bruno e Nuno dos Reis, João Fino e Vítor Correia. Em 2013, mudou-se para Lisboa para estudar representação com Guilherme Filipe, John Frey, Vítor Norte, Filipe Crawford, São José Correia entre outros. Paralelamente, Susie é membro fundador da banda Moonshiners, com a qual já gravou três discos – “Moonshiners”, “Good News For Girls Who Have No Sex Appeal” e “Prohibition Edition”– e percorreu o país de norte a sul, Europa e Canadá. Em 2016, fez parte do vídeo oficial do novo Volkswagem Up! e protagonizou a sua primeira longa metragem no cinema português, “Uma Vida Sublime” de Luís Diogo. Desde então, trabalhou com marcas como a  Douglas Cosmetics, Lycra e Albuquerque Drums. Em 2017, integra o elenco do  filme "O Caderno Negro" de Valeria Sarmiento e, em 2019, a "A Herdade" de Tiago Guedes, ambas produções de Paulo Branco, Leopardo Filmes. Ainda em 2019, grava o novo filme de Joaquim Pavão com estreia marcada para 2021 e inicia o seu mais recente projecto musical - SIRICAIA. Em 2020, fará parte do elenco de “ESTRO / WATTS Poesia da Idade do Rock”, um projeto de Gonçalo Amorim e Paulo Furtado, produzido pelo TEP - Teatro Experimental do porto e Câmara Municipal do Porto.

 

Susie já participaste em vários projetos, distintos entre si, na área da música, do cinema e do teatro principalmente. Como é que a música, o teatro e o cinema se encontram? Ou achas que são áreas completamente distintas na tua carreira?

 

SF:

Não, não são distintas, todas elas fazem parte do leque das artes e naturalmente sim, encontram-se, várias vezes. 

Com a minha experiência posso dizer que o que foi acontecendo, basicamente, foi que ao longo de todos os processos, que tive sorte de integrar, fui percebendo que as aptidões que ia adquirindo, em cada uma delas, me permitiu estender o meu leque de ferramentas para corresponder ao que me era proposto, portanto como a música, e como o cinema, e como teatro, todas elas, por exemplo, têm ou trabalham ou assentam sobre uma questão de tempo e musicalidade que naturalmente é fundamental para assumir a personagem que nos é proposta, e esse tempo, esse tempo de silêncio, essa marcação de tempo que é fundamental, de facto, acho que se encontram nestas três, e é uma característica que me é transversal a todos os projetos que vou fazendo, então sem dúvida, artes de palco, e todas elas muito relacionadas umas com as outras sem dúvida.

 

DM:

Exatamente. 

Passamos agora à biografia de Vitor Hugo.

Nascido em Aveiro em 1990, Vítor Hugo pertence à nova geração de artistas portugueses multifacetados, que acumula as funções de cantor, guitarrista e compositor. Começou a aprender guitarra aos 10 anos e em 2009 ingressou no London Center of Contemporary Music. De regresso a Portugal fundou The Underdogs, banda com que editou “Silence” (2011), “Songs for the few” (2012) e “Blame it all on jazz” (2014). Paralelamente, iniciou o seu percurso com os Moonshiners, com quem gravou três discos: o de estreia, homónimo (2013); “Good news for girls who have no sex-appeal” (2015); “Prohibition Edition” (2018); e com o alter-ego Silent Preacher, num registo intimista e a solo, lançou o álbum “The other side of nothing”(2013). "Positivamente" , do qual se destacam os singles "Auto-retrato" e "Obituário" é o seu álbum de estreia, em nome próprio e em português.

Vitor Hugo sabemos que começaste muito cedo a aprender música, tocas guitarra, cantas e compões. Muitas das músicas de Moonshiners, agora de SIRICAIA e do teu projeto a solo “Positivamente” são compostas e escritas por ti. Quais são as tuas fontes de inspiração para a composição e para a escrita?

 

VH:

Ora bem, isso é sempre uma pergunta um pouco difícil de responder, porque, numa fase inicial as músicas acabam sempre por surgir sempre mais por intuição do que propriamente… não é propriamente um processo racional por isso nem sempre é fácil dizer onde e onde é que vem as coisas, mas por norma as músicas surgem sempre, sei lá, de um riff de guitarra, duma frase, dum rito de bateria e a partir daí o processo começa a desenvolver-se e é preciso perceber o que é que as músicas pedem, muitas vezes as música escrevem-se um bocadinho a si próprias, nós só estamos ali para ser uma espécie de mestre de cerimónias de todo o processo. É mais ou menos isso e depois às vezes as fontes de inspiração, são a vida em geral, são os livros que vou lendo, as pessoas que vou conhecendo, filmes, pinturas, todas essas coisas acabam por surgir no meu trabalho, por exemplo, no caso de Moonshiners, tenho a sorte de fazer esse trabalho essencialmente com com Sam, o meu colega microfone, e aí é sempre engraçado porque temos que fazer esse trabalho a meias e tentamos sempre chegar a uma zona que seja confortável para ambos, por exemplo, aqui na Família Fandango também foi engraçado porque fiz esse trabalho, apesar de ser eu assinar as letras, fiz sempre esse trabalho com a Susie, partilhámos muitas ideias, e ao contrário dos outros álbuns em que em que as músicas que acabavam por constituir o álbum eram tudo músicas que funcionavam isoladamente, aqui as músicas, já vamos falar do álbum mais à frente, mas as músicas obedecem sempre ao conceito do álbum é quase como se fossem vários capítulos de uma mesma história. Espero ter respondido a qualquer coisa (risos).

 

DM:

Sem dúvida.

Como vocês já referiram, os Moonshiners são então o ponto de referência das vossas carreiras e é um projeto que já passou pelo Centro de Artes de Águeda, inserido no Outonalidades da d’Orfeu em setembro de 2018. Este projeto, Moonshiners, conta com um percurso nacional e internacional e inclusive já foi galardoado com os prémios Pop Eye para melhor grupo português. Podemos esperar novidades dos Moonshiners em breve?

 

SF:

Podemos, claro, sim, nós depois de um interregno de facto vamos voltar para o ano, não só para celebrar os nossos 10 anos de carreira mas também com um álbum novo e algumas músicas que já temos praticamente prontas e outras que estamos a construir, portanto, e sobretudo porque estamos cheios de saudades de ir para o palco com os Monshiners que é sempre uma magia que não dá para explicar o que acontece só em Moonshiners. Portanto já falta pouco (risos).

 

VH:

Até porque precisamos de perder peso e os Moonshiners ajudam (risos).

 

DM:

Exatamente. Passamos então a Siricaia o vosso atual ponto de convergência, digamos assim, surgido em 2019 é um duo aveirense constituído por vós, Susie Filipe na percussão e na voz e Vitor Hugo na voz e na guitarra. Família Fandango é o nome do primeiro álbum de SIRICAIA, que retrata através da música, pintura, literatura e vídeo, a vida de um seio familiar tipicamente português, ao longo de 4 gerações, numa viagem de volta às raízes, a bordo de sonoridades contemporâneas e eletrónicas. Dos ritmos tradicionais portugueses até ao jungle swing, com percussões portuguesas e guitarras elétricas travestidas de cavaquinho, SIRICAIA exploram diversas influências artísticas, parando de porto em porto, à procura de novas respostas para questões antigas. Com recurso a uma forte componente imagética, “Família Fandango” envolve 18 artistas portugueses de vários quadrantes artísticos e propõe novas formas de olharmos para a identidade das famílias portuguesas do passado, do presente e do futuro.  

Este álbum conta a história de uma família tipicamente portuguesa, como referi, sabemos que há um bebé, uma avó com devaneios, jantares de família, passeios de pasteleira, discussões conjugais. Querem falar-nos mais sobre esta família e de todo o processo criativo à volta?

 

VH

É uma verdadeira odisseia (risos).

O ponto partida, aliás como é um primeiro álbum, e o projeto é recente, é sempre interessante porque para além de estarmos a criar um álbum, estamos também a criar a identidade da banda, os primeiros álbuns têm sempre muito essa função então foi ao contrário de outros álbuns que temos vindo a editar com outras bandas, foi uma coisa muito pensada desde início, como te dizia há pouco, ou seja, em vez de começarmos simplesmente a fazer música pensamos, bem vamos lá ver para não nos perdermos que caminhos é que queremos seguir e foi sempre (…)

 

SF:

E também tivemos sempre, desde início, a ideia muito concreta de que o primeiro disco seria e abordaria uma família, não uma família qualquer obviamente, muito inspirada nas nossas famílias e nas personagens das nossas famílias, muito comuns e transversais a todas as famílias, toda a gente tem um avô, toda gente tem uma avó, um bebé, um tio, uma tia, e todos eles com características muito diferentes (…)

 

VH:

Sim é autobiográfico mas acho que espelha as vidas de todos nós.

 

SF:

Muita cultura portuguesa também, que se reflete essencialmente nos instrumentos que escolhemos para fazer parte deste álbum também, mas sim é como o Vitor estava a dizer, nós partimos para este primeiro álbum com a ideia concreta, ao contrário do que tínhamos feito anteriormente, talvez também porque nos serviu de experiência e percebemos que, não, desta vez vamos fazer um desenho e perceber o que é que queremos para já desde início.

 

VH:

O álbum também exigia também um bocadinho de planeamento, acho que sim.

 

SF:

Porque todas as músicas, como o Vitor estava a dizer há pouco, todas elas vão completando e vão construindo esta história que é a Família Fandango, portanto não poderíamos nunca deixar simplesmente que as músicas tomassem conta de nós e que surgissem, e que nos surgissem em pelos dedos, sem perceber o que é que queríamos dizer em cada uma delas porque senão certamente nos iríamos esquecer de caracterizar esta e aquela personagem e isso não era o objetivo.

 

VH:

Ainda ficava mais disfuncional.

 

SF:

Ainda ficava mais complicado. O objetivo era mesmo tentar explicar e desenhar da melhor forma a família, mas as personagens da família e a cultura que envolve toda esta família que nos é muito familiar, porque é uma família tipicamente portuguesa exatamente como disseste.

 

DM:

Exatamente. 

Há uma ideia de convergência não é, e citando até palavras vossas “o objetivo deste álbum é a criação de uma peça única no espólio da música tradicional portuguesa, recuperando referências do nosso imaginário e propondo novas formas para o futuro da música tradicional.” 

Podemos dizer que esta família acaba por veicular toda esta mensagem.

Ao longo de todo o álbum encontramos então sonoridades mais contemporâneas como referi, sonoridades mais eletrónica, muitos ritmos tradicionais portugueses. De que forma é que se apropriam deste tradicional para criar de forma contemporânea? E qual a influência do "Sótão da Velha” nestas sonoridades e tradições? 

 

VH:

Pronto, viste o que é um álbum sobre uma família tradicional portuguesa, para nós fez todo sentido abordarmos a música tradicional portuguesa, essencialmente os ritmos e também algumas coisas a nível de harmonia musical. O lado contemporâneo veio muito também do nosso pano de fundo até então, das nossas influências, por exemplo, nós somos bastante, até à data éramos bastante influenciados essencialmente por música anglo-saxónica, estamos a falar por exemplo de David Bowie, dos The Beatles, Bob Dylan, todos esses nomes sonantes do blues, do country, do rock in roll, e a ideia foi trazer um bocadinho (…)

 

SF:

Que já por si a música tradicional e outros países, de outros povos e de outras culturas e que para nós serviram de base para nós agora e noutros projetos.

 

VH:

E foi um bocadinho pegar nessa identidade e nessa referência e tentar adicionar o lado português e pronto e surgiu (…)

 

SF:

Claro que o sótão da velha foi, e o Quiné-Teles, que foi produtor do disco, foi sem dúvida uma ótima escolha, porque julgo que se não tivéssemos feito com o Quiné, o álbum teria certamente uma outra textura, uma outra roupagem, soaria certamente a outras coisas que não o resultado final. O Quiné é um dinossauro, no que diz respeito à música tradicional portuguesa, é uma referência muito boa, para nós bastante a ter em conta e por isso o facto de ele ter aceitado fazer isso connosco deixou-nos muito felizes e depois ver resultado final então, bastante realizados, desta vez conseguimos (risos) estar mais próximos do que era nosso objetivo primeiro.

 

DM:

E agora falando desta edição, desta Família Fandango, ao nível do objeto, falamos de um vinil, um livro e um filme. Porquê estas três componentes (…)

 

SF:

Daniel, temos aqui o livro.

 

DM: 

Fantástico

 

SF:

E temos o vinil também. Ainda não podemos vender, mas já temos muitos em casa (risos) prontos a seguir caminho. Em breve estará disponível.

 

DM:

É uma bonita edição digo desde já. Pelo menos visto daqui é uma bonita edição, a nível gráfico está muito interessante. 

E pergunto então qual o papel, qual o papel do vinil, qual o papel do filme, qual o papel do livro nesta fusão que acabam por desaguar nesta Família Fandango? 

 

SF:

Todos eles complementam na verdade, o vinil naturalmente tem as músicas, as 11 músicas que fazem parte desta história, que constituem esta história, o vinil é um suporte que tem uma realidade mais ilustrativa, que ficou ao encargo do João Fino, um artista aveirense também, e serve essencialmente para completar e para criar outra dimensão, não só auditiva, mas visual, para que quem receba esta família, escute ou veja tenha um imaginário mais concreto que foi o nosso inicialmente e penso que todos estes se complementam, o filme idealizado inicialmente e pensado com o João Roldão, serve também como apoio a este trio não é, não só porque quisemos desde início retratar todo o processo de gravação e de criação da Família Fandango mas porque depois também fomos percebendo que o vídeo, nos tempos que correm, é uma ferramenta super importante para levar para o palco e então fez todo sentido termos optado por criar o filme também da Família Fandango e levá-lo para o espetáculo ao vivo e perceber que todos eles de facto nos dão uma base concreta daquilo, é muito mais fácil para nós termos estas três peças para mostrar e para dizer e para ilustrar aquilo que para nós é a Família Fandango.

 

VH:

Sim, até porque existiam detalhes, por exemplo que nós não conseguiríamos expressar nas músicas, e especialmente ao nível das ilustrações o João Fino teve um papel muito importante, ou seja as pessoas podem ouvir as histórias das personagens nas músicas, mas também podem vê-las ou seja deu-lhes forma. As pessoas podem associar aquela personagem aquela imagem e é muito interessante cruzar as artes.. e há coisas que não consegues dizer com a pintura, há coisas que não consegues dizer com a música e então pronto assim tentámos que esta família fosse o mais completa possível.

 

DM:

Exatamente e tornar a experiência mais imersiva.

 

SF:

Sim exatamente

 

DM:

Como vos disse e como já repararam, entrevisto-vos do auditório do Centro de Artes de Águeda, onde decorreram as filmagens, precisamente da "Família Fandango” um projeto recheado(…)

 

VH:

Está vazio hoje!

 

DM:

Está vazio, as pessoas não quiseram vir ver isto (risos).

Como estava a dizer… é a primeira piada que faço desde que estou a entrevistar portanto acho que é um bom sinal

 

VH:

Bom ou mau!

 

DM:

Exato, bom ou mau, depois vamos ver.

Como estava a dizer decorreram aqui a filmagens da Família Fandango, um projeto recheado de co-produções e parcerias, até como vocês já falaram em algumas, pergunto qual a importância haver este entrosamento  e apoio mútuo entre entidades e agentes culturais para a criação de conteúdos artísticos, e ia de alguma forma concretizar para este contexto de pandemia que nos incita a sermos mais solidários e reforçar essa mesma união, mas não vos obrigo a responder por ai?

 

VH:

Eu acho que desde que estamos metidos nisto de fazer música, sempre fomos bastante apologistas de fazer colaborações que achamos muito importantes, às vezes parece que os nichos se fecham muito em si próprios e não há grande partilha de ideias, eu acho que o processo criativo e as artes vivem muito dessa partilha, todo o espólio que existe hoje de arte, é muito fruto da partilha de referências, da partilha de estilos, nós não conseguiríamos fazer o que fazemos hoje se não tivéssemos milhares de anos de arte e de partilha, por isso achamos sempre que as colaborações são sempre muito importantes.

 

SF:

Elas surgem essencialmente porque achamos que as sinergias são de facto alguma coisa que nos enriquece, a todos os níveis, e verdadeiramente porque temos essa necessidade, nunca conseguiríamos conseguir fazer o filme da Família fandango se não tivéssemos o Centro de Artes que nos disponibilizasse todo equipamento e toda a sua equipa fantástica, portanto não nasce só do facto de nós sermos “pró sinergéticos”, mas também porque as nossas necessidades aparecem e nascem e nós temos que recorrer a quem acredita no nosso trabalho que é quem está disponível para nos ajudar e para coproduzir connosco e o Centro de Artes é uma entidade dessas a quem agradecemos muitas vezes e continuamente.

 

DM:

Obrigado.

E tendo em conta então essas coproduções e parcerias, agora excluindo agora um pouco o espetro do Centro de Artes, mas remetendo para o espetro dos artistas que colaboraram convosco, são 18 artistas portugueses, de diferentes quadrantes no espetro artístico digamos assim, conseguem de alguma forma explicar-nos qual é a importância, não digo de cada um deles, mas há um adicionar a nível plástico, como o Vitor disse, há outros artistas que trazem outras sonoridades, querendo de alguma forma desenvolver esta ligação a estes 18 artistas.

 

 SF:

Eles nascem também da necessidade de nós percebermos que queríamos ter instrumentos contemporâneos e instrumentos tradicionais que não estão sobre o nosso domínio e pelo facto de termos muitos amigos músicos próximos profissionais, bons profissionais, que os executa muito bem e porque não convidá-los a eles para fazerem parte desta construção e desta família. Para nós fez todo sentido tudo quando começarmos a perceber que instrumentos queríamos pôr, que traços queríamos nas ilustrações, que design queríamos para o booklet, quando percebemos o que é que queríamos e quando percebemos que tínhamos gente muito próxima com capacidades excelentes não resistimos em convidá-los a fazer parte desta família como é evidente.

 

VH:

Exatamente é um álbum Bastante familiar também a esse nível

 

SF:

Todos eles são os nossos conhecidos e nossos amigos

 

VH:

É uma família de amigos. Amigos também são família.

 

SF:

E de artistas muito bons também.

 

DM:

O vosso álbum termina com "O dia em que Fandango morreu". Pergunto se esta faixa marca o fim desta família disfuncional ou reflete uma forma de reconciliação e um possível recomeço?

 

SF:

“O dia em que Fandango morreu” retrata o dia em que o avô, que é o patriarca desta família morre, e portanto como qualquer morte é um início ao fim de qualquer coisa não é, evidentemente, não diria que é o fim do projeto mas certamente vai marcar o fim deste processo que é a Família Fandango mas evidentemente pisca o olho ao próximo álbum, que já está a ser construído, já temos ideias (…)

 

VH:

Tivemos que matar o homem se não não nos deixava fazer mais nada (risos).

 

SF:

Sim claro que sim marca sempre o início e o fim de alguma coisa neste caso o fim de um álbum, de uma família, e o início da próxima etapa que será o próximo disco.

 

DM:

Não sei se querem falar um bocadinho mais desse próximo disco já agora?

 

VH:

(Risos) ainda é tudo muito vago, acho que é melhor… ainda não sabemos bem ainda andamos à procura 

 

SF:

Não queremos dizer a verdade é essa (risos)

 

DM:

Claro.

 

VH:

Mas depois fazemos outra entrevista.

 

SF:

Guardamos na calha. É surpresa.

 

DM:

Combinamos então uma entrevista breve no próximo álbum.

Falando então do presente, ou pelo menos do presente possível, quando a pandemia nos permitir teremos oportunidade de vos ouvir aqui no palco do Centro de Artes de Águeda, com este novo projeto “Família Fandango”, o que é que podemos esperar deste espetáculo?

  

SF:

Olha Daniel estou ansiosa para tocar em qualquer que seja o palco, mas digo-te já se começar esta tour com a data que temos marcada no Centro de Artes, serei uma mulher feliz, e com muito mais força para começar o resto do ano que eventualmente podemos ter para fazer alguma coisa, sem dúvida nenhuma, o primeiro espetáculo está reservado para o Centro de Artes, o espectáculo que inicia esta digressão está marcado para o dia 10 abril, esperamos muito que aconteça, portanto fora isso o que é que se pode esperar, o início de uma etapa que será esta própria digressão, espero que possamos concretizá-lo e que possamos mostrar ao público, ao primeiro público, que estiver presente neste espetáculo aquilo que será a nossa dedicação e o entrosamento destas três, e destes vários artistas que nos acompanharam, que não vão connosco para a digressão, não estarão connosco em palco, mas levaremos todos eles, com o recurso ao vídeo, eles estarão todos presentes connosco em toda a digressão e todos os espetáculos da digressão.

 

VH:

Acima de tudo estamos muito ansiosos por começar, temos vindo a ensaiar e pronto vamos lá ver se a pandemia é gentil conosco e nos deixa ir tocar umas modinhas.

 

DM: 

Esperamos todos que sim, naturalmente.

Por falar em tocar uma modinha, não sei se estariam disponíveis em tocar uma pequena modinha nesta entrevista.

 

VH:

Modinhas é connosco.

 

DM:

Que possamos acabar em grande.

 

SF:

Aumentaram-nos os cachet, nós vamos tocar (risos).

Claro sim

 

VH:

Vamos lá, aos “Devaneios da avó Rodrigues”

 

SF:

Esta é uma das músicas que já está publicada, já pode ser vista nas nossas rede sociais e em todas as nossas plataformas digitais, tanto a música como o vídeo que também é da autoria, como já disse, do João Roldão. É um dos singles.

 

VH:

E depois tem ilustrações também do João Pedro, o vídeo. Animação.

 

SF:

Animação sim, do João Pedro. Um beijinho para o João que fez um belíssimo trabalho nesta música.

 

VH:

Beijinho.

Vamos lá então. Vamos lá ver se nos lembrar-nos.

 

SF e VH: 

E tudo a pandemia levou.

 

(Música)

 

DM:

Fantástico. Terminamos em grande.

Muito obrigado Susie, muito obrigado Vitor. Até breve, esperamos que nos possamos ver aqui presencialmente no Centro de Artes. 

Tudo de bom para vocês e muito obrigado.

 

SF:

Obrigado por estares connosco. Beijinho. Obrigado Daniel.

 



Entrevista completa em:

https://www.youtube.com/watch?v=3K0vEdS_kFs&t=110s  

 




 

FICHA ARTÍSTICA

Créditos fotográficos

CAA

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