EM PALCO COM JOÃO SILVÉRIO

|







EM PALCO COM JOÃO SILVÉRIO

SINOPSE

Esta semana, João Silvério é o convidado do ciclo de conversas “Em Palco com...”.

Curador e crítico de arte, João Silvério é mestre em Estudos Curatoriais pela Faculdade Belas-Artes da Universidade de Lisboa e escreve frequentemente sobre arte e projetos artísticos em catálogos, publicações e websites.
Foi enquano curador da exposição “A Coleção (reloaded)” que participou ativamente na inauguração do Centro de Artes de Águeda e , desde então, a sua colaboração com este equipamento repete-se noutros momentos.

Nesta conversa, Joâo Silvério fala-nos acerca da sua relação com Águeda e partilha reflexões sobre o panorama da arte contemporânea.
 


Daniel Madeira:

Olá João Silvério curador e crítico de arte, aliás dono de uma biografia que eu irei ler de seguida mas antes demais dar-lhe as boas vindas à nossa rubrica “Em palco com…”, um palco que ainda está vazio mas que sabemos, pelo menos hoje, já temos datas para a reabertura.

Bem-vindo João, vou ler então a sua biografia, o João que está connosco desde o inicio praticamente.

João Silvério é mestre em Estudos Curatoriais pela Faculdade Belas-Artes da Universidade de Lisboa. É curador associado da coleção de arte contemporânea da Fundação PLMJ. Curador e tutor no projecto RAMA Residências Artísticas, Maceira, Portugal. Inicia a sua atividade como curador independente em 2003. Cria o projeto independente EMPTY CUBE em Outubro de 2007 que tem apresentado projetos de artistas, designers e arquitectos. Foi Presidente da Secção Portuguesa da AICA – Associação Internacional de Críticos de Arte, desde março de 2013 até dezembro de 2015. Escreve regularmente sobre projectos artísticos em catálogos, publicações e websites entre os quais no www.emptycube.org, lá está.

João, começo do inicio dos inícios, o João assumiu a curadoria da primeira exposição patente no Centro de Artes de Águeda,  “A Coleção (reloaded)”, que inaugurou em maio de 2017, ao mesmo tempo que todo este edifício e foi uma exposição a partir da Coleção Norlinda e José Lima. Eu pergunto ao João como é que olha para essa exposição e para tudo o que lhe foi inerente, quatro anos depois?

João Silvério:

Antes de mais obrigado pelo convite, boa tarde, muito obrigado pelas boas vindas, é sempre um prazer trabalhar convosco, também com a cidade de Águeda, porque o centro não é independente da comunidade e isso pareceu-me imediatamente importante no momento em que foi feito o convite pelos colecionadores, pelo Centro de Artes de Águeda, pela sua idealidade à época, que se mantém a senhora vereadora Elsa Corga, e foi uma experiência, foi a minha primeira experiência de maior envergadura digamos assim, até porque a vossa sala tem dimensões generosas, o centro é muito bem equipado para expor, digamos que uma visão, a minha visão mais abrangente da coleção Norlinda José Lima. O título Reloaded tinha a ver com uma questão que era voltar a fazer, numa linguagem digamos que mais contemporânea ou digital, um download, mas o meu download do que seria a coleção, o que é que era a minha visão da coleção tendo em conta também como seria importante mostrar de que forma, e algumas obras, de uma coleção que tem um espectro muito alargado de várias técnicas, meios, questões sociais e políticas que estão inscritas, relembro que a obra do Leon Golub como relembro também entre outras, como por exemplo uma obra do Noé Sendas, que era uma das figuras dos Nameless que estava montado numa bicicleta, e isso foi uma, não é uma ilustração mas foi uma escolha propositada porque é algo que tem muito a ver com o tecido empresarial, social, não só de Águeda mas dessa área do país, entre outras obras que foi muito importante mostrar. É sempre importante dar o primeiro passo e isso foi uma iniciativa do município de Águeda, em ter um centro cultural que eu acho, e continuo a achar, que é dimensionado também para, digamos, o âmbito populacional para a escala da cidade e também dos concelhos vizinhos, ou seja, também não é um “elefante branco”, e agora vou falar aberta e sinceramente, como penso que me conhecem, é proporcionado, tem um excelente auditório, relembro que a inauguração da exposição foi há época muito visitada, que hoje é uma situação que temos uma dificuldade enorme e não sabemos quando voltamos a ter, lembro-me também da primeira iniciativa, do primeiro espectáculo no auditório que foi uma coisa que me ficou na memória,  não vou dizer que me ficou mais na memória do que a exposição em que fui curador, mas também agradecer aos colecionadores que tiveram com o Centro de Artes de Águeda, também já com a nossa colaboração Daniel, e com uma boa parte da equipa que ainda está presente e que estava há época, que foi uma experiência, foi montar de raiz com o edifício a ser finalizado, para ser inaugurado, ou seja tudo de novo, e tudo era novo no contexto de Águeda independentemente do resto do país, mas também era novo no país porque era mais um centro de artes vocacionado para a arte contemporânea mas também para as artes cénicas, artes do espetáculo, numa zona que embora esteja perto da costa que é maravilhosa, já tem digamos que algum sentimento de questão um pouco mais interior, está mais interiorizado, há uma questão que eu queria salientar que é adesão das pessoas de Águeda, que foi imensa em toda essa celebração, que foi as exposição, a abertura do auditório, o espetáculo, foi absolutamente emocionante mas foi importante, portanto participar num evento onde todos estão a participar, e todos eram todos os que estavam aí, todos os que aí vivem, e muita gente fora que eu também vi. Por outro lado foi importante para mim trabalhar uma coleção, já trabalhei em várias coleções em Portugal, trabalhar uma coleção que ainda não tinha trabalhado, ainda não tinha discutido a escolha com o colecionador , ainda não tínhamos posto questões, ainda não tínhamos digamos discutido porquê esta e porque não a outra, e ter uma visão, um panorama da coleção que eu não tinha antes de ter a base de dados, e de ir ver as obras, e antes de escolher também em função das dificuldades do espaço, faço aqui uma nota, mas também das modalidades e da forma como o espaço se tornou muito apto a certo tipo de obras que de outra forma pode não ser fácil expor e isso foi um desafio, é sempre, mas foi um desafio bastante grande e digamos que dar esse ponto partida, que por acaso é o título de uma outra exposição, de um outro espaço que vou abrir, num outro município, de uma outra coleção privada, mas é realmente o primeiro passo para dar continuidade àquilo que é a história do Centro de Artes de Águeda até hoje.

 

DM:

E a verdade é que as revisitações à coleção Norlinda e José Lima depois da sua já aconteceram diversas vezes e sempre com ótimos resultados temos resultados.

Ando agora um bocadinho para a frente no tempo para uma outra curadoria do João no nosso espaço expositivo, desta vem em nome próprio, falo-lhe naturalmente de “Topography of memory” do artista Alexandre Baptista, que comemorava na altura 30 anos de carreira, foi uma exposição que inclusive trouxe um ciclo de conversas na quais se debateram diversas temáticas, todas elas ligadas evidentemente à arte contemporânea.

Como é que viu esta primeira exposição na altura, que ainda se mantém como a única em nome próprio, em nome individual, no espaço expositivo do Centro de Artes de Águeda?

 

JS:

A exposição sobre o trabalho do Alexandre Baptista e sobre essa, e agora vou passar a português, e sobre essa topografia subjetiva da memória do Alexandre plasmada nos trabalhos que ele realizou durante mais de 20 anos, e depois fizemos um recuo até cerca, de trabalhos mais antigos, para dar um enquadramento diríamos de quase três décadas de trabalho, começou quase um ano e meio, dois anos antes, já tinha feito uma pequena exposição com o Alexandre, aliás não fiz uma exposição, escrevi um texto para o Alexandre para a Galeria Sete em Coimbra, passo agora a publicidade, penso que neste nosso meio a publicidade até pode ser vantajosa para puxar colecionadores, não é mesma coisa do que comprar máquinas de lavar não é (risos), portanto e na altura foi quando eu tive uma aproximação primeira ao Alexandre, depois surgiu o convite dele, e depois surgiu mais um convite do Centro de Artes de Águeda e do município e foi um projeto desenvolvido, foi um projeto de uma grande complexidade porque a exposição trazia consigo uma topografia de facto da memória, ou seja uma mapeamento do próprio, um mapeamento emocional mas também uma mapeamento político, porque referenciava em grande parte da história da vida do Alexandre e dos seus familiares, uma relação com Moçambique ex-colónia, com Lourenço Marques, que resultou de uma peça que foi exposta cá fora, uma peça, uma escultura, que inclusive as pessoas podem passar-lhe por cima, que tem uma inscrição particular, uma inscrição que de certa forma polémica, que em calçada portuguesa diz o seguinte “Aqui é Portugal” quando o Alexandre inscreveu aquele seu símbolo, aquele coração ele inscreve em todos os materiais gráficos, plásticos, que ele próprio produz, ou que outros produzem. Essa peça acaba por ser uma peça muito contraditória em certo aspecto, essa peça estava instalada… foi uma decisão muito vincada do próprio Alexandre, os meus trabalhos de curadoria geralmente e aqui o artista poderia estar aqui a falar connosco, é um trabalho com, ou seja é sobre  do ponto de vista e alguma questão história, foi de questões processuais do desenvolvimento da obra, mas é uma curadoria discutida, negociada, mas que discutida, e o Alexandre tinha uma grande vontade de pronstruir essa peça que no fim de contas é ao modelo reduzido, adaptado, como já falei, de um Praça, de um passeio de uma praça, em Lourenço Marques, e quando estamos a falar de Lourenço Marques estamos a falar antes desses países serem países independentes, portanto Moçambique, que hoje está a passar no momento estamos a falar, uma fase trágica no norte do país como é sabido e esperemos que passe poupando mais vidas possíveis, mas há época também havia outra questão que é o facto do pai do Alexandre ter sido militar, e há uma outra visão do que é o produto colonial a partir daquele que lá esteve a fazer, digamos, como servidor do estado à época, portanto essa memória colonial, que não é tão comum quanto isso, vem também como qualquer coisa que acaba por ser resolvida muitos anos mais tarde através do trabalho Alexandre, mas também deixando essa memória histórica, essa memória que é também digamos que uma ocupação eu diria terrível, que é quando num outro país alguém põe, aqui não é Moçambique, "Aqui é Portugal”, portanto essa obra por um ponto vista crítico, muito agudo, muito apurado do Alexandre digamos que estando fora do centro, dava, digamos, era um preâmbulo para entrar para a exposição e colocava-nos perante essa ambiguidade, essa memória histórica. 

O trabalho desenvolvido foi um trabalho muito intenso, e há uma coisa que eu gostava de referir, que eu na altura, na inauguração, referir que foi, isto agora do ponto vista prático e técnico  e logístico, toda a exposição do Alexandre com diversos meios desde, néon, instalação, impressões e os trabalhos que o próprio Alexandra fez em atelier, toda a exposição foi construída do ponto de vista dos materiais necessários, de peças que foram feitas de raiz, mais o catálogo num raio de 100km, ou seja, isto também diz uma coisa, diz que o centro tem a aptidão para trabalhar exposição destas mas os meios necessários para trabalhar, existem na área, ou seja, também do ponto de vista do que é cultura como motor do desenvolvimento económico, relacional, funcionou, portanto isso foi uma experiência social e humana, com uma quantidade pessoas que eu não conhecia, muitos ficaram amigos, muitos já estive para voltar a recorrer e entrou a pandemia, para produzir certo tipo de objetos ou inclusive de edições, foi possível realizar no raio de 100km, um raio de 100km que se estende até ao Porto, mas é nesse raio de 100km e que também estende  para sul, que foi possível produzir toda a exposição e isso teve uma grande importância porque grande parte do trabalho apresentado na exposição foi trabalho original que o Alexandre foi concebendo com vista à sua exposição individual e foi também do ponto de vista da sua memória pessoal, não só esta inscrição como parece na sua vivência auto referencial, biográfica, em alguns casos, emocionada como se pode ver em documentos da inauguração do próprio, que é absolutamente natural, mas também uma série de mugshots em que o Alexandre vai buscar outro tipo de memórias, que são arquivos que identificam criminosos, ou seja, há toda uma ideia acerca de tudo aquilo que vai transigindo o que é a esfera da liberdade, a esfera do que é o respeito pelo outro, dos direitos humanos, está escrito nesta exposição, e que aparentemente parece mais concentrada nas figuras que lhe estão próximas mas que na obra tudo isso já vinha num âmbito muito mais alargado e muito mais interessante também nesse ponto vista, em alguns casos digamos que, criando alguma tensão, porque estamos a falar em algumas questões que tem que ver com o ser humano, mas que o Alexandre já tinha inscrito no seu trabalho. 

Salientar que a produção de catálogo foi bastante exigente, o próprio Alexandre desenhou o catálogo, mas também das colaborações que a exposição teve, como um texto sobre esta questão da memória do curador Nuno Faria, e uma colaboração de um artista, do artista João Louro, pelo facto de serem amigos, de se conhecerem bem, teve uma colaboração absolutamente inusitada para mim, o convite partiu de uma ideia minha de sugerir aos dois porque não encontrarem-se nesta exposição, e o João Louro escreveu um notável texto sobre a série mugshots, ou seja, tudo resultou de um trabalho, de quase dois anos e meio, bastante exigente, exigente também na montagem da exposição, ou seja, até chegarmos ao centro, que trabalhou muito bem e apresentou muito bem a exposição, foi um trabalho que me deu imenso prazer, muito esforço até pelas questões existenciais, psicológicas, mas também outras de referência histórica, e depois perceber que não só pelo público que esteve presente na inauguração, mas também durante o percurso da exposição que ainda esteve creio mais do que um semestre, nas pessoas convidadas são pessoas ligadas ao universo de arte contemporânea de diversas áreas, no confronto com a exposição e com as questões que se punham em presença do artista, tinha presença do curador que aí era secundário, a exposição era do Alexandre Baptista, não era uma exposição minha, o curador aí é alguém que digamos é o mediador, faz uma transição, uma passagem, porque a obra que lá está, se formos ver hoje que certamente estará no atelier, algumas felizmente foram para coleções a obra fala por si.

 

DM:

Exatamente, João.

E vamos avançar, agora para o futuro, durante a próxima semana, iremos encontrarmo-nos na Universidade de Aveiro, para a montagem da exposição “O Desenho na Coleção Norlinda e José Lima (uma seleção)”, uma exposição com a sua curadoria e que entrega o ciclo “O Desenho como Pensamento”, com direção artística de Alexandre Baptista e que iniciou em setembro do ano passado.

Pergunto ao João como é que olha para este ciclo de um modo geral, e como olha para esta exposição, de um modo particular.

 

JS:

Comecemos pelo ciclo.

O ciclo já começou quase eu diria, há quase um ano…

 

DM:

Foi em setembro.

 

JS:

Em setembro portanto, há cerca de  7, 8 meses, o ciclo parece-me um ciclo bastante interessante, pegando na ideia do desenho, o desenho como pensamento, aliás o ciclo já tinha começado anteriormente com três primeiras posições que o Alexandre tinha feito, o Alexandre concebeu este ciclo, falámos alguma coisa sobre o ciclo, e a uma determinada altura estava a começar a ser planificada a exposição que está na sala principal, com a curadoria da Sara António Matos, que é uma curadora de muito respeito, muito particular e muito singular, e entretanto surgiu a ideia de regressar, que eu sei que têm regressado bastantes vezes a coleção Norlinda e José Lima, com outras curadorias, o que é muito útil, porque é assim, uma visão é insuficiente, qualquer visão é insuficiente e a última revisão é ainda insuficiente quando a obra ou quando a coleção permite abrir espaço a outras visões, e a coleção Norlinda e José Lima permite muitas visões e outras, mesmo as que têm sido mostradas em São João da Madeira, e na altura o Alexandre começou a desenhar, tanto quanto eu sei, o ciclo, ou seja, por uma forma de perspetiva por um lado, mas atingindo pontos, atingindo no sentido do alvo no sentido de atingir, disparar, zonas onde o desenho é fundamental e importante, o desenho industrial e outras áreas, uma variedade grande de artistas em vários sítios na cidade, e a proximidade de um centro de conhecimento que é Universidade de Aveiro, uma sala de exposições creio ter sido desenhada por Siza Vieira, que é uma pequena sala de exposições, portanto já vamos falar um um pouco da exposição, ou seja, essa colaboração e essa sinergia, digamos, e lá estamos outra vez nesta esfera dos quase 100 km, que no caso da programação agora do centro, não só do ciclo, eu creio que ultrapassou em muito esses 100 km inclusive, nas artes cénicas e na forma como também fazem divulgação, que eu acompanho, e muita gente acompanha como tenho percebido, e o ciclo é um ciclo que me parece invulgar não só na programação, antes de falar na extensão, falar na qualidade das escolhas feitas pelo programador/curador, embora artista, mas programador/curador e que tem aberto vários campos, não é uma questão só de variação ou de variabilidade, também não foi abrangente que tenha incluído todos, mas teve o critério que só ele poderá explicar, e esta extensão a Universidade de Aveiro parece-me realmente bastante importante, até porque há um núcleo, e agora espero não estar enganado, da Universidade que tem um pólo ou uma ligação a Águeda, portanto tudo isso lá está o Alexandre trabalhou e fez-me o convite e esse convite passa também pelo centro e pelo município, para trabalhar uma pequena exposição, é uma pequena exposição, é um apontamento digamos sobre o desenho na coleção, que tem uma extensão digamos considerável, mas onde eu vou tentar mostrar algumas obras, que são obras seminais de alguns artistas já, dois ou três artistas que infelizmente já cá não estão, já faleceram, que são artistas absolutamente invulgares e fantásticos, que foram e a obra ainda é será, mas também algumas obras, por exemplo, algumas obras que são muito identificativas de uma fase de artista Carla Filipe, há uma obra da Helena Almeida absolutamente invulgar pela escala, pelo tipo de obra que é, um desenho da série de papel arches do Fernando Calhau, um perfil de José Escada, mas também há uma obra de Sol LeWitt, há uma outra obra de Christo e inclusive da sua mulher, ou seja, são pontuações, não é mais do que isto porque são 20 e poucas obras mas pretende dar e abrir campo, porque eu penso numa exposição mais alargada sobre a coleção especificamente sobre o desenho na coleção e o desenho entendemos aqui na ideia expandida de que o desenho pode ter, vai aparecer também um livro de artista, que é quase que um livro de artista escultura, mas isso agora também não vou revelar muito mais, e que pretende não diria chamar a atenção porque a colação tem sido bastante mostrada, bastante não é suficientemente, ainda tem muito para mostrar, há muitas portas de entradas para aquela coleção, também para outras, como já referi, as boas coleções, os bons artistas permitem ter diferentes pontos de acesso e há diferentes pontos de vista de quem faz mas permite chamar a atenção para o lado internacional que a coleção sempre teve, a coleção tem muitos artistas internacionais, e há pouco eu falava na inauguração, por causa das questões (…) na exposição Reloaded no Leon Golub, mas havia outros artistas internacionais também presentes, e portanto é uma forma, digamos que, com alguma humildade é que eu faço esta esta exposição, com o maior respeito pelos colecionadores, mas tentando pontuar naquela sala portas de entrada para o que pode vir a ser um olhar mais abrangente, um estudo mais aprofundado sobre o desenho na coleção que tem diferentes modalidades e uma riqueza muito grande e daqueles artistas que alistam ficaram imensos de fora, mas qualquer coleção inclusiva é exclusiva no sentido da exclusão de outros, mas isso tem a ver com condições não só espaciais como inclusive da disponibilidade de obras e muito mais.

 

DM:

Exatamente, até porque escolher é também excluir.

 

JS:

Escolher deve ser inclusive mas a limite quando se escolhe, quando se decide, quero este não quero aquele, aquele que não se quer, mas terá lugar noutras escolhas e noutras visões e noutras leituras que que a coleção tem sido sujeita e penso que seria sujeita no futuro e pelo menos as que vi têm sido bastante interessante.

 

DM:

Claro que sim, e portanto voltando a esta ideia, há questão do ciclo “O Desenho com pensamento”, o João acha que pode ser uma forma de Águeda também se afirmar aqui neste plano descentralizado da arte contemporânea? 

 

JS:

É assim, como estávamos a falar há pouco, talvez como eu referi, digamos que esse círculo de 100 km, quando eu tive que produzir uma exposição de raiz com o Alexandre para a exposição monográfica, foi a primeira monográfica que o Centro de Artes de Águeda fez, já ultrapassou em muito, e aqui não terá sido na produção mas já ultrapassou em muito, basta ver olhando para o ciclo do desenho, artistas que vêm, há artistas que estão no Porto, que estão em Évora, Lisboa, outros que estão até relativamente próximos de Águeda, ou seja, essa geografia já se alargou, a programação eu penso que a programação do ciclo “O desenho com pensamento” pode ser um modelo para uma programação de artes visuais mais continuada, não quer dizer com isto que não a tenho, mas uma programação mais continuada que faz com que o trabalho, a apresentação do trabalho de artistas, o facto de os artistas se deslocarem à comunidade, de estarem, podem estar uma tarde, um dia, alguns estão três segundo o que percebi, outros estão mais, eu já estive aí, não diria temporadas, mas já aí estive às vezes uma semana, duas semanas, o que é necessário para trabalhar, mas depois acaba por se ter uma vida em comunidade, uma vida de relação com outros, com pessoas que vamos encontrando na rua no dia seguinte, umas conhecemos outras não, umas vamos vê-las na inauguração outras vamos vê-las numa conversa e isso de um ponto de vista não só da arte contemporânea mas também da própria evolução sociocultural local, parece-me ser importante, aliás a ideia de construir o centro, que remontará há uns anos atrás, e que eu não conheço bem a génese, mas conheço algumas pessoas que tiveram no princípio, algumas ainda estão, algumas digamos na tutela local, foi precisamente ter um dispositivo, um equipamento cultural para servir a comunidade e as comunidades que estão próximas e outros que vem de fora, eu conheço pessoas que já foram, inclusive talvez até espectáculos presentes no auditório que foram daqui, ou seja o Centro de Artes de Águeda existe, agora a partir do momento em que existe tem que se manter um ritmo, digamos que um passo, não apressado, o tempo não está pra essas coisas e já não estava antes da pandemia, o panorama cultural sempre foi muito difícil isto simplesmente veio destapar, mostrando o agravamento que neste momento muita gente está a sofrer imenso, aliás todos, inclusive aqueles que provavelmente não trabalha no vosso equipamento, independentemente das condições que tenham ou não, o panorama cultural em Portugal sempre foi muito difícil e sempre foi, se agora a palavra resiliência é uma palavra que é absolutamente necessária, a palavra resistência eu acho que é palavra mais antiga de quem trabalha na cultura, em qualquer parte do mundo, e essa parece-me ter sido também um ponto de partida para quem resistiu, quando provavelmente foi pensada a ideia, enquanto não havia sequer a primeira pedra, enquanto aquelas chaminé estava ali isolada sem o centro a dar-lhe e ela dar enquadramento e ela dar enquadramento ao centro, portanto a mim parece-me que é um bom ponto partida porque é uma programação sistemática que seguida, talvez sobre outros temas outras questões com continuidade, virá a reafirmar, porque eu acho que o centro já se afirmou no panorama nacional, e fruto das redes sociais em que vivemos hoje, mesmo internacional nem que não seja por via imagem que vamos vendo e que vai sendo reposted, que vai sendo passada, por artistas que tem amigos no estrangeiro e que veem, os currículos que estão on-line que mostram que naquela data artistas expôs no sítio tal, mas alguém diz, onde é que é o centro de artes de Águeda, não faço ideia, se alguém tiver sei lá em Montreal saiba onde é que é Águeda, não tem que saber, também não temos que saber onde é Montreal, é bom que saibam em que geografia do mundo é que vivemos, mas o facto de ser uma cidade relativamente mais pequena, por um lado esconde uma cidade que tem uma história de um tecido empresarial forte, imenso, extrapola digamos que até o coeficiente habitacional que variou com certeza como variou em todo o país nas últimas décadas, portanto há todo um património que o centro revitaliza do meu ponto de vista e que põe cá fora, sem revivalismos ou nostalgias, mas que põe cá fora presente para partilhar e para partilhar historicamente, partilha património, partilha também o património que está a ser construído, que é o que os artistas como é o Alexandre como outros, como os que estão no ciclo estão a fazer, e agora quando olhamos para trás, para setembro, as primeiras obras já fazem parte do património acumulado da programação do ciclo, mas também do centro, das equipas, das tutelas e têm todos responsabilidade, principalmente para com os artistas dar-lhes um prolongamento no tempo, portanto um programa como este, outro que seja, a continuidade deste, com periodicidade ou não, isso as tutelas avaliam, até consoante as condições, são as condições de continuidade e de estar presente mas contribuir, não basta estar presente é preciso contribuir, e o contributo tem sido do meu ponto de vista muito grande.

 

DM:

Muito bem, e agora mudando um bocado o assunto para uma perspetiva mais geral digamos assim, como referi na sua biografia, iniciou o seu trabalho como curador independente em 2003 e pergunto quais as diferenças que identifica desde essa altura até à atualidade no campo da curadoria e da arte contemporânea em Portugal?

 

JS:

Bom as diferenças são, as duas vertentes que são postas na questão são imensas, agora só com uma nota a minha primeira curadoria independente que eu fiz numa sala de exposições da livraria Assírio & Alvim foi com um artista que integra precisamente “O Desenho com Pensamento” que foi com projeto do Luís Paulo Costa, e a partir daí sucederam-se dos trabalhos outros projetos, o projeto EMPTY CUBE que teve importância pra mim e que penso que isto virá ser perguntado mais à frente em falarei sobre o EMPTY CUBE e o seu desenvolvimento no presente,  agora as diferenças são muitas, vamos ver uma coisa, não só no panorama galerístico, não só, por exemplo, no intercâmbio internacional que foi sempre uma dificuldade mas também um trabalho com muitas dificuldades na internacionalização da arte contemporânea portuguesa, na internacionalização nas duas vias, naquele que saem mas também aqueles que vêm a Portugal ver arte contemporânea portuguesa, estar no contexto, perceber o contexto, e isso também foi acontecendo, foi mudando, há uma nova geração de curadoras e curadores que são muito desafiantes, mesmo pra mim que sou de uma geração um pouco mais velha, um pouco faz favor, mas um pouco mais velha, há novas perspectivas, novas questões que começaram a estar presentes, que estavam digamos não fechadas na gaveta mas que estavam com dificuldade em ser abordadas há uma geração mais nova, embora algumas curadores e curadores tenham já posto essas questões muitas vezes em projetos expositivos que fizemos, estou a lembrar-me de Isabel Carlos, como outros, mas neste caso acho que é um caso a referência, eu penso que nesse aspeto, eu acho que houve uma mudança substancialmente qualitativa e depois há uma coisa, apareceram cursos de curadoria, eu próprio fiz um, já tinha começado curadoria antes, eu próprio fiz o mestrado em curadoria, há mais gente formada com uma qualidade investigação muito grande, existe um panorama galerístico um pouco mais alargado, embora o mercado de arte em Portugal seja um mercado restrito, o colecionismo com dificuldades sobreviveu, e aí a importância de mesmo com este apontamento da coleção Norlinda e José Lima, de estar com uma coleção num centro de conhecimento que é uma universidade eu acho que é do ponto vista simbólico é um sinal que é importante mas também mudaram, digamos que perspectivas, as políticas culturais confesso que não sei se mudaram assim tanto, como referi há pouco, os problemas antes da pandemia não se alteraram muito, o que se alterou foi as condições que é pandemia praticamente anulou, em termos de políticas culturais, agora do ponto de vista de novas galerias, nova perspetiva, novos curadores, programação de algumas instituições, que foram sendo alteradas e tudo mais, eu penso que há uma vontade de melhoria, principalmente dos artistas, o panorama artístico português é um panorama muito rico, nós temos artistas muito interessantes, não interessa agora aqui valorativamente se são bons, se são maus, isso agora depende da apreciação subjetiva de cada um, mas com questões que são postas muito interessante, em várias áreas, desde antropologia até a sexualidade, ao género que parece que só mais recentemente é que está na ordem do dia mas tem vindo a estar e, felizmente, tem trazido questões de discussão que são importantes, mas por outro lado há uma ligação maior aos circuitos internacionais, apareceram mais residências artísticas tanto fora como dentro muito artista concorram, também é verdade que apareceram mais alguns apoios e programas, contudo nesse aspecto eu acho que ainda insuficientes, agora em relação a 2003, claro que mundo é completamente diferente, a forma como nos relacionamos, como inclusive, damos a ver o trabalho feito, não só trabalho do curador, embora eu acho que esse trabalho, é assim, eu trabalho porque há artistas a trabalhar, se não faria outra coisa qualquer e é impossível pensar na história humana que não há alguém que representou, seja na caverna, seja na parede do Foz Côa, qualquer coisa do ponto vista estético, qualquer coisa do ponto vista, ou seja, que essa incisão, curiosamente também fiz a exposição inaugural dos espaços temporários para uma coleção de arte contemporânea da Fundação Luso-Americana quando abriu o Museu de Foz Côa, e tive uma experiência também muito rica, muito interessante, até porque aí o Museu interpretativo está dentro de portas, dentro daquela arquitetura também muito singular e extraordinária mas o museu está na paisagem, está no campo que se visita, com um dispositivo muito importante que são os guias e o serviço educativo, que é talvez um dos braços, pra mim, mais importante hoje em dia de fazerem a mediação com o público, portanto a dificuldade do público é sempre grande, neste momento é uma dificuldade ainda maior por não estarem em presença, eu próprio fiz programas no Instagram no primeiro confinamento, dá-se a ver imagens de obras, que não é a mesma coisa, mesmo nesse auditório que está por detrás do Daniel, ou de outro auditório onde nós estejamos a partilhar, mesmo que as luzes estejam escuras a passar um filme temos a sensação que estamos isolados naquele grande ecrã, que estamos em partilha com os outros, esse momento de há-de voltar, ninguém sabe quando, e é absolutamente fundamental que as pessoas voltem, aqueles que gostam, e os que se interessam, os que colecionam os que sabem e os que querem saber, também é público e que o serviço educativo, os serviços educativos têm melhorado muito em Portugal e talvez isso é uma das questões, embora muitas vezes mal tratados, peço desculpa dizer isto, como se tem visto, maltratados como se tem visto, não só aqui mas mal tratados. Esse são aqueles que fazem chegar àqueles que se aproximam que tem curiosidade os que tem ainda um ato de conhecimento e serem ignorante não é nenhum problema, não é nenhum problema, porque há formas de ir colmatando essa ignorância, ganhando conhecimento e ganhando interesse depois gosto não gosto e seriam outras questões mas o serviço educativo talvez seja uma área que eu te queria com um grande esforço de todos, de quem os forma, mas também de quem trabalha que foi uma mudança importante, não diria, radical que eu vi, e esta acontece porque também há mais espaços, há mais centros, há algumas coleções, que estão alocadas por protocolos de comodato ou outros com, a maior parte com municípios também como o caso da coleção Norlinda e José Lima, como outros e que exigem que haja essa aproximação à comunidade, e a comunidade também contribuiu para que este centro como outros fossem construídos, contribuíram de várias formas, é uma forma retributiva de lhes dar a ver qualquer coisa que lhes vai desarrumar as certezas mas vai trazer-lhes alguma coisa de novo, e é isso que eu acho que a arte, ou a expressões artística, da música, o teatro e de outros se encarregam de nos desviar, num bom sentido, de um caminho que parece que não tem uma curva ou um gaveto que me surpreenda e eu acho que isso acontece muito fruto de quem faz a mediação entre as instituições, os eventos culturais agora já abriram um pouco da arte contemporânea para os eventos e para o público mesmo para aquele que já consome alguma coisa mas que pode vir a consumir mais.

 

DM:

Exatamente. João, quais são os seus projetos atuais?

 

JS:

Os meus projeto atuais são, para a semana, na Universidade de Aveiro com a coleção Norlinda e José Lima, o lançamento ainda este mês, espero, da editora EMPTY CUBE Reader, que é uma digamos que, uma versão para uma editora de objetos artísticos, cuja primeira edição está pronta para ser apresentada, era para ser apresentada na quarta-feira, na véspera de quando tudo isto fechou, e que vai apresentar uma obra da dupla, uma obra edição de 20 exemplares da qual eu não vou falar, portanto espero que venham, também de Águeda a Lisboa, vai estar durante algum tempo num determinado espaço que vai ser anunciado, a primeira edição da editora.

Estou neste momento a trabalhar um livro para a exposição que inaugurou também sobre o confinamento absoluto, de Pedro Tudela na Universidade Católica Portuguesa, a convite da Universidade Católica, do Dr. Nuno Crespo e do artístico que muito estimo e com quem já trabalhei.

Há projeto novos na coleção da fundação PLMJ, que a seu tempo virão a ter lugar, porque agora a suspensão, embora esteja aparentemente quase a acabar não se percebeu muito bem como é que vai ser.

Há o projeto da RAMA, que está em desenvolvimento, é um projeto recente de residência, que tem tido bastante solicitação, que se está a complexificar, portanto os artistas quando chegam tornam tudo complicado, e tornam felizmente complicado para estimular a desenvolver outro tipo de projetos e há duas exposições talvez de, há exposição de André Almeida e Sousa no museu Carlos Machado que vai inaugurar no dia 16 de abril, que feito o teste espero poder viajar com o artistas e apresentar a exposição de cerca de 15 anos do seu trabalho e eu conheço o museu onde já trabalhei com exposições há vários anos e tenho um grande carinho e estima por muita gente dos Açores, e pelos Açores que é um lugar que gosto particularmente, como outros, como Águeda, como Elvas, com uma grande experiência. Eu nos últimos, talvez 10,15 anos, tenho trabalhado mais fora de Lisboa ou do Porto, do que propriamente estas duas cidades isso deu-me também um panorama do que são as mais valias, das necessidades, das dificuldades, mas do empenho, não só das tutelas, principalmente dos profissionais, mas também do desafio que se criou inclusive para mim e para os artistas, e isso tem sido absolutamente estimulante.

Também há duas exposições de maior envergadura que estão neste momento a tentar ser desenhadas tendo em conta que ainda não percebemos bem como é que vai ser o segundo semestre, o primeiro semestre já percebemos, como é que vais ser o segundo semestre de forma a preparar, e dar continuidade à editora que  é neste momento um projeto que me interessa, eu não sei se durará 10 anos como o EMPTY CUBE mas que durará  as edições que forem possíveis fazer em colaboração com os artistas, isso depende deles sempre.

 

DM:

Bem e o João acabou por me responder à próxima pergunta, iria perguntar sobre o futuro em termos práticos, o João já respondeu, posso agora e podemos fechar com uma pergunta sobre o futuro mas se calhar num sentido mais abstrato, como é que as coisas poderão evoluir no sentido do espaço exposição, da curadoria, tendo em conta o panorama atual pandémico. Como é que o João vê este futuro?

 

JS:

O futuro vejo auspiciosos, vejo com a confiança, com ser absolutamente sincero, vejo com confiança no trabalho dos artistas e vejo com preocupação que aquelas que dispõem dos meios para mostarda os trabalhos dos artistas, artistas de várias épocas, também tivemos um artigo aqui há tempos no Publico sobre as questões da conservação, quem é que prossegue as carreiras, ou seja, do ponto de vista da estratégia culturais, porque artistas vai haver sempre, os artistas vão estar a trabalhar, mostrando não mostrando, não é para a gaveta, nem para trás do armário, ma os trabalho dos artistas tem um posição  sobre o mundo, naquela expressão que lhes é cara, outros tem outros tipos de expressão, nesse ponto de vista tenho a maior confiança e olho com um sorriso de agrado para a frente, olho com procuração se todos aquelas que virão do pontos de vista das várias tutelas, sejam locais, sejam governamentais, nas várias aprendizagens, não é sé este momento que parece que foi preciso haver esta catástrofe, porque isto é uma catástrofe, para nos fazer aprender alguma coisa, olhando para trás, olhem também para a frente, e olhem para outros meios que estão surgir, para outras necessidades e deem lugar, e agora abro da arte  contemporânea para o espectro da arte e da cultura, para a edição, para o livro, para a música, de forma a que uma cidade culta, uma cidade em que a cultura é importante e a cultura vai sendo transmitida e vai sendo apreendida e vai sendo desafiante e desafiado é uma cidade mais rica, mais democrática, menos radical, menos intolerante, mais aberta a todas a questões que são fragmentárias e são questões que vão dividindo. A cultura traz um princípio inclusivo, ainda que seja difícil chegar e aí os serviços educativos que eu falei, mas também a forma como os artistas trabalham nas comunidades, mesmo a arte no espaço público ou independentemente das considerações que possamos ter, inclusive de preferência subjectiva, a cultura é talvez a ossatura duma comunidade ou das comunidade e aí obriga a ter diversos pontos de vista, aí já não obriga, passa uma mensagem de um sentimento de tolerância e integração do outro, portanto olhem para os trabalhos dos artistas, olhem para as necessidades que precisam e talvez seja mais fácil certo tipo de questões e certo tipo de assuntos serem digamos menos extremados, menos radicalizados, e isso traz inclusão e traz igualdade.

 

DM:

Entrará um futuro melhor.

 

JS: 

É o meu ponto de vista. Utópico talvez mas parte realizável, mas tem sempre um pouco de utopia lá no fundo.

 

DM:

Tem que haver sempre um pouco de utopia não é.

 

JS: 

Eu acho que sim.

 

DM: 

João, agradeço imenso em nome da Câmara Municipal de Águeda e do Centro de Artes de Águeda, ter participado connosco nesta rubrica.

Bem vamos ver-nos em breve, para a semana não é, o primeiro passo neste desconfinamento, portanto agradeço. Até lá João.

 

JS:

Também fico muito grato, não só à Câmara Municipal, ao Centro de Artes e ao Daniel que já trabalhamos e vamos trabalhar para já, pelo menos para a semana, portanto há caminho, e daí para a frente.

 

DM:

João, um abraço.

 

JS: 

Abraço, muito obrigado. 

 


Vídeo disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=ibt-7bFgW3Q



 

FICHA ARTÍSTICA

Créditos fotográficos

CAA

PARTILHAR: